Como Aprender a Falar Inglês: Construa Sua Fluência Como Quem Constrói uma Casa

Você já parou para pensar que aprender a falar inglês pode ser muito parecido com construir uma casa?

Eu não entendo de obras. Não sou engenheira, arquiteta nem pedreira. Mas uma coisa parece bastante óbvia: ninguém começa a construir uma casa pelo acabamento.

Antes de escolher a cor das paredes, instalar uma iluminação bonita ou colocar aquele piso maravilhoso, existe todo um processo que precisa acontecer primeiro.

É preciso preparar o terreno. Fazer uma fundação. Construir paredes. Usar tijolos, massa, ferro, vigas e todos os elementos necessários para que aquela construção tenha sustentação.

E existe uma razão para isso.

Uma casa bonita, mas sem uma estrutura adequada, pode apresentar problemas.

Com o inglês acontece algo parecido.

Muitas pessoas querem falar inglês fluentemente, mas tentam começar pelo “acabamento”. Querem aprender palavras difíceis, assistir a filmes sem legenda, entender músicas, decorar listas enormes de vocabulário ou estudar regras gramaticais avançadas.

Enquanto isso, a base continua cheia de buracos.

E é justamente essa base que permite que você use o inglês quando realmente precisar dele.

Aprender inglês é construir uma habilidade

Aprender um idioma não significa simplesmente acumular palavras e regras gramaticais.

Você pode conhecer centenas ou até milhares de palavras em inglês e ainda sentir dificuldade para responder:

How are you?

Where do you live?

What did you do yesterday?

What are you doing?

What would you like?

Saber reconhecer uma frase é diferente de conseguir produzi-la.

Entender uma pessoa falando inglês é diferente de conseguir responder espontaneamente.

Ler uma frase é diferente de conseguir dizer aquela mesma ideia em voz alta.

E é exatamente por isso que aprender a falar inglês precisa ser encarado como uma construção.

Você precisa colocar um “tijolo” de cada vez.

A base da casa: as estruturas essenciais do inglês

Imagine que você decidiu construir uma casa.

Você não começaria escolhendo a cortina antes de fazer a fundação.

No inglês, a fundação é formada por aquilo que você realmente precisa para começar a se comunicar.

São estruturas simples como:

I am…
Eu sou / estou…

I have…
Eu tenho…

I like…
Eu gosto…

I want…
Eu quero…

I need…
Eu preciso…

I don’t know.
Eu não sei.

I don’t understand.
Eu não entendo.

Can you help me?
Você pode me ajudar?

Where is…?
Onde fica…?

Essas frases podem parecer simples demais para quem está começando.

Mas são justamente os primeiros tijolos.

E tijolos simples também fazem parte de grandes construções.

O problema é quando o aluno acredita que precisa conhecer estruturas extremamente complexas antes de começar a falar.

Não precisa.

Primeiro, você precisa conseguir construir pequenas ideias.

Depois, essas ideias vão ficando maiores.

Os tijolos são as palavras e as frases

Quando aprendemos inglês, precisamos de vocabulário.

Mas existe uma diferença importante entre aprender palavras isoladas e aprender palavras dentro de frases e situações.

Imagine que você aprendeu:

coffee = café

Você reconhece a palavra.

Mas será que consegue utilizá-la?

Talvez seja muito mais útil aprender:

I like coffee.
Eu gosto de café.

I want a coffee.
Eu quero um café.

I’m drinking coffee.
Estou tomando café.

I had coffee this morning.
Tomei café esta manhã.

Agora aquela palavra começa a fazer parte de uma estrutura que você pode reutilizar.

É como colocar um tijolo na construção.

Depois, você acrescenta outro.

E outro.

Até perceber que as frases começam a se conectar.

A massa que une os tijolos: o contexto

Tijolos sozinhos não constroem uma parede.

Eles precisam ser unidos.

No aprendizado de inglês, podemos pensar no contexto como essa massa que conecta as peças.

Uma palavra aprendida isoladamente pode ser esquecida com facilidade.

Mas quando você aprende uma palavra dentro de uma situação, ela passa a ter significado.

Por exemplo, em vez de simplesmente memorizar:

ticket = passagem / ingresso

Você pode aprender:

Where can I buy a ticket?
Onde posso comprar uma passagem?

Agora existe uma situação.

Você está em uma estação, aeroporto, cinema ou evento.

A palavra deixa de ser apenas uma tradução.

Ela passa a fazer parte de uma ação comunicativa.

Por isso, aprender inglês por meio de frases contextualizadas pode tornar o estudo muito mais funcional.

Você não está apenas aprendendo palavras.

Está aprendendo como usar essas palavras.

As vigas e os ferros: as estruturas que sustentam o idioma

Uma construção também precisa de estruturas que proporcionem sustentação.

No inglês, podemos pensar nas estruturas gramaticais dessa maneira.

O verbo to be, por exemplo, aparece em inúmeras situações:

I am tired.
Eu estou cansado(a).

She is happy.
Ela está feliz.

They are at home.
Eles estão em casa.

Depois, você começa a compreender outras estruturas:

I work every day.

I worked yesterday.

I’m working now.

A gramática não precisa ser tratada como uma coleção de regras complicadas que devem ser decoradas antes de falar.

Ela pode ser apresentada dentro de situações reais.

Você aprende a estrutura, observa como ela funciona e começa a utilizá-la.

É assim que a estrutura vai ficando mais firme.

Não adianta construir uma casa e esquecer uma parte importante

Imagine uma casa com paredes lindas, mas sem portas.

Ou uma casa com quartos maravilhosos, mas sem janelas.

Ou uma casa com uma fachada perfeita, mas sem uma estrutura adequada.

A construção estaria incompleta.

No aprendizado de inglês, algo parecido acontece quando desenvolvemos apenas algumas habilidades e abandonamos outras.

É possível estudar inglês durante anos e passar muito tempo apenas ouvindo.

Também é possível passar muito tempo lendo.

Ou fazendo exercícios escritos.

Ou estudando gramática.

Tudo isso é importante.

Mas nenhuma dessas habilidades deve substituir completamente as outras.

Para desenvolver uma comunicação mais completa, precisamos trabalhar:

fala, escuta, leitura e escrita.

Cada habilidade tem sua função.

E elas se ajudam mutuamente.

Escutar inglês é importante, mas não é suficiente

Ouvir inglês é fundamental.

Precisamos treinar os ouvidos para reconhecer os sons, o ritmo, a entonação e as palavras.

Podemos ouvir:

  • diálogos;
  • histórias;
  • vídeos;
  • podcasts;
  • músicas;
  • aulas;
  • conversas do cotidiano.

Mas existe uma armadilha.

Às vezes, conseguimos compreender muito bem um áudio porque estamos acompanhando a legenda ou porque já conhecemos o assunto.

Temos a sensação de:

“Nossa, eu entendo bastante inglês!”

E talvez realmente estejamos desenvolvendo uma boa compreensão auditiva.

Mas então acontece uma situação diferente.

Alguém pergunta:

What did you do yesterday?

E precisamos responder sem legenda, sem texto, sem tradução e sem tempo para pensar em português.

De repente…

silêncio.

Isso não significa que todo o estudo anterior foi inútil.

Significa que compreender uma mensagem e produzir uma mensagem são habilidades diferentes.

Por isso, a fala também precisa ser treinada.

Existe um momento em que você precisa agir

Essa talvez seja uma das ideias mais importantes para quem quer aprender a falar inglês.

Você não pode ficar eternamente no modo de preparação.

Em algum momento, é preciso agir.

É preciso abrir a boca.

Responder.

Perguntar.

Descrever.

Tentar.

Errar.

Reformular.

Tentar novamente.

Imagine que você assiste a vários vídeos ensinando como andar de bicicleta.

Você entende todas as explicações.

Sabe como funciona o equilíbrio.

Sabe como usar os pedais.

Sabe o que deve fazer.

Mas nunca sobe em uma bicicleta.

Quando finalmente chegar o momento de pedalar, provavelmente vai perceber que saber sobre a atividade não é a mesma coisa que executar a atividade.

Com a fala acontece algo semelhante.

Você precisa praticar a produção da língua.

Falar inglês com erros também faz parte da construção

Muitos alunos têm medo de falar porque acreditam que precisam estar prontos.

Precisam conhecer todas as palavras.

Precisam dominar a gramática.

Precisam pronunciar tudo perfeitamente.

Precisam construir frases sem nenhum erro.

Mas, se esperarmos a perfeição para começar a falar, podemos passar muito tempo sem abrir a boca.

No início, sua frase pode ser pequena.

Pode faltar uma palavra.

Você pode cometer um erro.

Pode precisar reformular.

Tudo bem.

Você está construindo.

Uma criança que está aprendendo a falar sua língua materna também não começa produzindo frases perfeitas.

Ela experimenta sons, palavras e estruturas.

Ela tenta.

Ela erra.

Ela ouve novamente.

E continua.

No aprendizado de um segundo idioma, precisamos também criar esse espaço para experimentar.

Descrever o cotidiano é um excelente exercício

Você não precisa começar falando sobre assuntos complexos.

Comece pelo que está ao seu redor.

Olhe para uma cena e diga:

This is my kitchen.

There is a table.

There are two chairs.

The window is open.

I’m making coffee.

My phone is on the table.

Depois, avance.

Conte o que aconteceu:

I went to the supermarket yesterday.

I bought some fruit.

I came home at six o’clock.

E, pouco a pouco, aumente a complexidade.

Essa prática transforma o inglês em uma ferramenta de ação.

Você não está apenas estudando frases.

Está usando o idioma para descrever sua realidade.

Responder perguntas reais também faz parte da construção

Outra maneira muito eficiente de desenvolver a fala é treinar respostas para perguntas que realmente podem aparecer em uma conversa.

Por exemplo:

Where do you live?

What do you do?

What do you like to do?

What did you do yesterday?

What are you doing now?

What are you going to do tomorrow?

Não basta apenas reconhecer a pergunta.

Você precisa praticar a resposta.

Where do you live?

I live in Brazil.

What do you do?

I work as a teacher.

What did you do yesterday?

I stayed home and watched a movie.

Esse exercício cria uma ponte entre o conhecimento que está na sua cabeça e aquilo que você consegue colocar para fora.

Leitura e escrita também fazem parte da construção

Quando falamos em aprender a falar inglês, algumas pessoas podem pensar que leitura e escrita são secundárias.

Não são.

Ler ajuda você a perceber como as palavras e estruturas aparecem no idioma.

Escrever ajuda a organizar aquilo que você quer comunicar.

Você pode começar escrevendo frases muito simples:

My name is Ana.

I live in Brazil.

I like coffee.

I work in the morning.

Depois, pode transformar essas frases:

My name is Ana, and I live in Brazil. I work in the morning, and I like drinking coffee in the afternoon.

A construção vai crescendo.

Uma frase se conecta à outra.

O vocabulário aumenta.

As estruturas ficam mais naturais.

E aquilo que antes parecia difícil começa a fazer parte do seu repertório.

A fluência não é o acabamento da casa

Talvez aqui esteja a parte mais importante da metáfora.

Muitas pessoas enxergam a fluência como se fosse o acabamento de uma obra.

Como se primeiro precisassem estudar tudo e, somente no final, começassem a falar.

Mas a fluência não deveria ser vista apenas como a última etapa.

A fluência é construída durante o processo.

Cada conversa é um tijolo.

Cada frase falada é um tijolo.

Cada erro corrigido é um tijolo.

Cada palavra aprendida dentro de um contexto é um tijolo.

Cada áudio compreendido é um tijolo.

Cada texto lido é um tijolo.

Cada pequeno parágrafo escrito é um tijolo.

Cada vez que você tenta responder sem traduzir mentalmente cada palavra, está fortalecendo a construção.

Não deixe nenhum cômodo vazio

Pense agora na sua casa do inglês.

Você precisa de diferentes espaços.

A escuta ajuda você a compreender o que chega até você.

A fala permite que você coloque suas ideias para fora.

A leitura ajuda você a reconhecer estruturas e ampliar seu contato com o idioma.

A escrita ajuda você a organizar e produzir suas próprias mensagens.

E o vocabulário e a gramática fornecem os materiais necessários para construir essas mensagens.

Se você trabalhar apenas uma dessas áreas, poderá avançar bastante nela.

Mas, para se comunicar com mais segurança, é importante construir uma formação equilibrada.

Como construir sua fluência passo a passo

Você não precisa estudar inglês durante cinco horas por dia.

Pode começar com uma rotina simples e consistente.

1. Ouça

Escolha um áudio curto ou um diálogo.

Primeiro, tente compreender a ideia geral.

Depois, observe palavras e expressões importantes.

2. Leia

Leia o mesmo texto.

Observe como as frases são construídas.

Identifique estruturas que você pode reutilizar.

3. Repita

Ouça novamente e repita em voz alta.

Não tenha medo de parecer estranho.

Você está treinando sua produção oral.

4. Responda

Faça perguntas para você mesmo.

What do you do in the morning?

Responda:

I have breakfast and go to work.

5. Fale sem apoio

Agora retire o texto.

Olhe para a cena ou pense na situação.

Tente falar sozinho.

Aqui está uma etapa muito importante.

Você começa a descobrir o que realmente consegue produzir sem depender do apoio visual.

6. Escreva

Escreva algumas frases sobre aquilo que acabou de falar.

Isso ajuda a perceber lacunas no seu conhecimento.

Talvez você descubra:

“Eu sei o que quero dizer, mas não sei essa palavra em inglês.”

Ótimo.

Você acabou de encontrar um ponto que precisa ser construído.

7. Volte e tente novamente

Aprender não termina quando você encontra uma dificuldade.

Você volta.

Revisa.

Escuta.

Repete.

Escreve.

Fala novamente.

E a construção continua.

O seu inglês não precisa estar perfeito para começar a ser usado

Uma casa não fica pronta em um dia.

E o inglês também não.

Você não precisa esperar saber tudo para começar a falar.

Na verdade, é falando que você descobre o que ainda precisa aprender.

Talvez você queira dizer uma frase e perceba que não conhece um verbo.

Aprenda o verbo.

Talvez tente responder uma pergunta e perceba que não sabe formar o passado.

Estude aquela estrutura.

Talvez consiga escrever uma frase, mas tenha dificuldade para pronunciá-la.

Ouça e repita.

Talvez consiga entender um vídeo, mas não consiga explicar o que acabou de ouvir.

Pratique a fala.

Cada dificuldade mostra onde está faltando um tijolo.

E agora você sabe onde colocar o próximo.

Aprender inglês é construir, não decorar

Se eu pudesse deixar uma mensagem para quem está começando a aprender inglês, seria esta:

Não tente começar pelo acabamento.

Não se preocupe em falar frases extremamente sofisticadas antes de dominar as estruturas básicas.

Não acumule milhares de palavras sem aprender a utilizá-las.

Não passe meses apenas ouvindo inglês sem tentar falar.

Não fique dependente da legenda para sempre.

Não tenha medo de produzir frases simples.

Não espere estar perfeito para começar a agir.

Construa.

Comece pela base.

Aprenda frases simples.

Coloque essas frases em contextos.

Amplie seu vocabulário.

Compreenda as estruturas.

Leia.

Escreva.

Escute.

Repita.

Responda perguntas.

Descreva situações.

Fale em voz alta.

Erre.

Corrija.

Tente novamente.

E continue construindo.

Porque a fluência não aparece pronta.

Ela é construída tijolo por tijolo.

E, quando você percebe, aquilo que antes parecia apenas uma pequena parede começa a se transformar em uma verdadeira casa.

Uma casa que você pode habitar.

Uma casa que tem estrutura.

Uma casa que permite crescer.

E, principalmente, uma casa na qual você consegue viver o inglês, em vez de apenas estudá-lo.

Nesse artigo, falamos de como construir seu Inglês como se constrói uma casa. E para complementar esse artigo, sugiro que você leia esse artigo que vai te ajudar muito na construção da sua fluência: Como começar a pensar em Inglês sem traduzir tudo.

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